Desde o dia 4 de março, a Associação João Paulo II, em parceria com o Sesc Mesa Brasil, vem executando o Programa de Promoção de Saúde na Infância (PPSI) — iniciativa que chega ao quinto ano e reforça o compromisso com a segurança alimentar, o desenvolvimento infantil e o fortalecimento de vínculos com as famílias atendidas na Ponte do Imaruim, em Palhoça.

Nutrição na primeira infância: por que isso importa

Os primeiros anos de vida — da gestação aos 2 anos — são a janela crítica do desenvolvimento humano. É nesse período que o cérebro atinge cerca de 80% do seu peso adulto e que se consolidam as bases dos sistemas imunológico, metabólico e digestivo. Estudos mostram que carências nutricionais nessa fase — especialmente de ferro, zinco e iodo — estão associadas a menor QI, pior desempenho escolar e maior risco de doenças crônicas na vida adulta, como obesidade, diabetes e hipertensão.

No Brasil, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI 2019), apenas 33% das crianças de 6 a 23 meses consomem alimentos minimamente processados na frequência recomendada, enquanto quase 60% já consomem ultraprocessados antes dos 2 anos. É nesse cenário que o PPSI atua como política de prevenção estrutural.

Atividades lúdicas e educativas com as crianças

Nos primeiros meses de programação, as crianças da Educação Infantil participaram de atividades que abordaram os Direitos da Criança (com base no ECA), por meio de rodas de conversa e pintura. Também foram trabalhados higiene pessoal e autocuidado — com destaque para a oficina lúdica de higienização das mãos com tinta — e a contação da história “João Feijão”, adaptada para incentivar o consumo de alimentos in natura e minimamente processados.

Nutricionista na cozinha: aproveitamento integral dos alimentos

Um dos diferenciais do programa na Associação João Paulo II é o acompanhamento semanal da nutricionista do PPSI, que passou a frequentar a cozinha da instituição. O trabalho inclui a orientação da equipe sobre o uso consciente de cascas, talos e folhas e a sugestão de novas receitas que aproveitam insumos ricos em vitaminas, proteínas e nutrientes — ampliando a qualidade das refeições servidas diariamente sem aumentar os custos.

Oficinas culinárias com as crianças

As crianças também colocaram a mão na massa em oficinas culinárias — estratégia prática e lúdica para apresentar novos alimentos, estimular a experimentação e construir uma relação positiva com a comida desde a primeira infância. O contato direto com os ingredientes e o preparo ajuda a reduzir a resistência a alimentos desconhecidos e fortalece hábitos que as crianças levam para casa.

Formação da equipe

Em julho, parte da equipe pedagógica e operacional da Associação participou da Formação em Educação Alimentar e Nutricional, realizada no Sesc Ponte do Imaruim. A capacitação qualifica educadores e cozinheiros para abordar a alimentação saudável de forma transversal no cotidiano da instituição — dentro e fora da sala de aula.

Cestas básicas para as famílias

Ainda em julho, o programa viabilizou a entrega de 125 cestas básicas, destinadas diretamente às famílias das crianças atendidas. A ação concretiza um dos pilares do PPSI: a segurança alimentar não pode se limitar ao ambiente escolar — ela precisa chegar até a mesa das famílias. Sem isso, o trabalho educativo perde força.

Próximos passos

O PPSI segue com programação ao longo do ano, combinando avaliação nutricional contínua e ações educativas que envolvem alunos, educadores e familiares. A iniciativa reafirma o compromisso da Associação João Paulo II e do Sesc Mesa Brasil com o Direito Humano à Alimentação Adequada e com a construção de um futuro mais saudável para as crianças atendidas pela instituição.

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